Fizemos uma breve entrevista com um dos mais importantes coaches da atualidade no mundo do CrossFit sobre as mudanças que ocorreram na temporada de 2019: Ben Bergeron (@benbergeron) . Ele já foi coach do Mat Fraser, e atualmente ainda é coach de Katrin Davidsdottir, Brooke Wells e Cole Sager. Para tal, contamos com a sempre pronta colaboração de Fábio Broco (@fabiobroco)
HC: Ben, qual a sua opinião sobre a mudança de formato e o processo de eliminação? E sobre o perfil da provas?
Os campeões nacionais trouxeram uma sensação de vila olímpica para a parte inicial dos Jogos. A Cerimônia de Abertura foi legal e o fato de permitir que centenas de atletas pudessem ver como eles são em comparação aos melhores foi uma ótima mudança. Eu também gostei dos cortes! Deixar na competição apenas o top 10 no último dia é ótimo – já que pode ficar chato assistir a 4 baterias de homens e 4 baterias de mulheres fazendo a mesma prova. Acho que os cortes poderiam ter esperado até domingo de manhã e os eventos que levaram aos cortes poderiam ter sido ajustados para um teste mais equilibrado.
HC: Que avaliação você faz do desempenho de seus atletas nesse novo formato?
Eu fiquei orgulhoso da performance dos meus atletas na competição, da competitividade deles durante o fim de semana e da estabilidade que eles mantiveram entre as provas. Os cortes adicionaram um elemento extra de estresse e meus atletas estavam mentalmente preparados.
HC: O que você considera mudar para o próximo ciclo de treinamentos?
Continuaremos trabalhando em suas deficiências e com o Open acontecendo mais cedo este ano teremos mais tempo para chegar na fase que chamo “pronto para os Games”.
Análise e Contexto
As mudanças no formato dos CrossFit Games em 2019 representaram uma evolução significativa na estrutura competitiva do evento. O processo de eliminação progressiva, com cortes durante os dias finais, trouxe uma dinâmica mais intensa e estratégica para os atletas. De fato, essa abordagem assemelha-se a formatos encontrados em outras modalidades esportivas de elite, onde a eliminação gradual mantém o suspense e a competitividade até a última etapa.
Além disso, o perfil das provas passou a valorizar ainda mais a versatilidade dos competidores, exigindo habilidades diversas e resistência mental. Essa tendência acompanha a filosofia original do CrossFit, que prioriza a aptidão geral. No entanto, algumas críticas apontam que o novo formato pode favorecer atletas com maior capacidade de recuperação rápida devido à frequência elevada das provas em dias consecutivos.
Comparando com temporadas anteriores, observa-se que o Open antecipado, mencionado por Ben Bergeron, permite maior planejamento estratégico para o ciclo de treinamentos, o que pode influenciar positivamente o desempenho dos atletas. Essa mudança também impacta a preparação psicológica e física, pois cria uma nova janela para ajustes e adaptações essenciais.
Impacto para a Comunidade Brasileira
Para os atletas brasileiros, as alterações no formato dos Games trazem tanto desafios quanto oportunidades. A possibilidade de se manter na competição até os dias finais, graças ao processo de corte progressivo, exige uma preparação física e mental robusta. Além disso, o maior número de atletas participando da fase inicial oferece uma experiência valiosa para os brasileiros, que podem medir seu nível frente aos melhores do mundo.
De fato, essa exposição ajuda a elevar o padrão do CrossFit nacional, incentivando academias e treinadores a adotarem métodos mais avançados e específicos. Além disso, o Open antecipado permite que os atletas brasileiros planejem melhor seu calendário competitivo, buscando pontos fortes para superar as etapas regionais e se qualificarem para os Games.
Por fim, essa evolução no formato também estimula a comunidade a se engajar mais, seja como atletas, coaches ou fãs, fortalecendo o ecossistema do CrossFit no Brasil. Perspectivas de crescimento e maior competitividade internacional são esperadas para os próximos anos, especialmente com o crescente interesse em modalidades como o Hyrox, que também demandam versatilidade e resistência.
Perguntas Frequentes (FAQ)
- Quais foram as principais mudanças no formato dos Games em 2019?
O destaque foi o processo de eliminação progressiva com cortes após eventos específicos, reduzindo os competidores até o top 10 final, além do Open acontecendo mais cedo na temporada. - Como o novo formato afeta a estratégia dos atletas?
Os atletas precisam administrar melhor o esforço e a recuperação, pois a frequência e intensidade das provas aumentam o desgaste físico e mental. - Ben Bergeron mencionou a cerimônia de abertura. Por que ela foi importante?
Ela criou um clima de vila olímpica, aumentando a interação entre atletas e a visibilidade do evento, além de motivar os competidores no início da competição. - O que significa a fase “pronto para os Games” citada por Ben?
É o estágio do treinamento em que o atleta alcança o pico de forma física e mental para performar no máximo durante os CrossFit Games. - Como os atletas brasileiros podem se preparar para o novo formato?
Além de focar em versatilidade e resistência, é fundamental trabalhar a recuperação, a estratégia mental e acompanhar as mudanças no calendário competitivo.
Para mais informações sobre preparação e estratégias, confira nossos artigos sobre treinamento CrossFit e estratégia competitiva. Também recomendamos acompanhar as novidades do Open CrossFit para entender melhor as mudanças na temporada.
