Hormônio produzido durante atividade física pode ter efeito terapêutico em casos de Covid-19

Já é sabido que a prática de atividade física melhora a saúde, a estética corporal e ajuda a prevenir e tratar diversas doenças, principalmente as ligadas à obesidade. Isso tem relação com um hormônio produzido pelo músculo esquelético, a IRISINA, em resposta ao exercício físico. Ela favorece a conversão do tecido adiposo branco em marrom, conhecido como browning (escurecimento), o qual é responsável pelo aumento da termogênese e do gasto calórico diário, reduzindo os depósitos de gordura corporal. Também é responsável pelo aumento da função mitocondrial, da redução do stress oxidativo e do dano ao DNA.⁣

Em pessoas obesas, a liberação da irisina pelo exercício físico e pela menor massa muscular, fica prejudicada devido aos níveis de fibronectina que são responsáveis pela proteólise que libera a irisina. ⁣

Recentemente um estudo de Miriane de Oliveira et al [Molecular and Cellular Endocrinology Volume 515, 15 September 2020, 110917] relacionando a obesidade e risco grave de COVID-19 foi publicado indicando que o tecido adiposo serve como um reservatório para a replicação do vírus. Além de apresentarem menores níveis de irisina e maiores quantidades da molécula receptora do vírus (ACE2), quando comparados a indivíduos não obesos. ⁣

Por esse motivo, é de extrema importância a prática esportiva, principalmente as com exercícios de sobrecarga, associada a uma alimentação saudável, afim de manter uma boa massa muscular e um % de gordura mais baixo.

Paulo Eduardo Asaiag
Formado em Educação Física pela PUCPR
Formado em Medicina pela Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná
Pós Graduado em Medicina do Esporte e Nutrologia
Contato (41) 98437-6440

Análise e Contexto

O papel da irisina na saúde humana vem ganhando destaque nos últimos anos, especialmente em relação à sua capacidade de mediar os benefícios do exercício físico. De fato, esse hormônio atua diretamente no metabolismo energético, estimulando o “browning” do tecido adiposo branco e promovendo maior gasto calórico. Isso coloca a irisina como uma peça-chave em estratégias para combater doenças metabólicas como obesidade e diabetes.

No contexto da pandemia de Covid-19, pesquisas recentes têm explorado como a obesidade pode agravar a evolução da doença. O estudo de Miriane de Oliveira et al. é um marco importante, pois sugere que o tecido adiposo não é apenas um reservatório passivo, mas pode facilitar a replicação viral devido à alta expressão do receptor ACE2. Além disso, a diminuição dos níveis de irisina em indivíduos obesos pode reduzir a capacidade do organismo de responder adequadamente ao estresse inflamatório causado pelo vírus.

Por outro lado, a prática regular de exercícios físicos, especialmente aqueles que envolvem resistência e sobrecarga, tem mostrado melhorar a liberação de irisina e fortalecer a massa muscular. Isso cria um ambiente metabólico menos favorável para complicações relacionadas à Covid-19. No entanto, é importante ressaltar que a resposta hormonal pode variar individualmente, dependendo de fatores como idade, sexo, e condição física prévia.

Impacto para a Comunidade Brasileira

No Brasil, onde a obesidade e as doenças metabólicas estão em ascensão, a conscientização sobre a importância da atividade física ganha ainda mais relevância. Atletas e praticantes de CrossFit e Hyrox, por exemplo, podem se beneficiar diretamente dos efeitos positivos da irisina, mantendo uma boa composição corporal e um sistema imunológico fortalecido.

Além disso, para a população geral, a promoção de exercícios físicos regulares e acessíveis pode ser uma ferramenta eficaz para reduzir o impacto da Covid-19 e outras doenças crônicas. Academias, boxes de CrossFit e grupos de corrida têm um papel fundamental na disseminação dessa cultura de saúde e prevenção.

É fundamental que profissionais de saúde e educação física estejam atentos às evidências científicas e incentivem práticas que aumentem a produção de irisina, como treinos de força e exercícios intervalados. Isso pode representar um diferencial importante na melhora da qualidade de vida e na redução dos riscos associados à pandemia.

Perguntas Frequentes (FAQ)

  • O que é a irisina e como ela é produzida?
    A irisina é um hormônio produzido pelos músculos durante a contração muscular, especialmente em exercícios de resistência e sobrecarga. Ela auxilia na conversão do tecido adiposo branco em marrom, aumentando o gasto energético.
  • Como a irisina pode ajudar no combate à Covid-19?
    Estudos indicam que a irisina pode melhorar a função mitocondrial e reduzir o estresse oxidativo, fortalecendo o sistema imunológico e diminuindo os efeitos da inflamação causada pelo vírus.
  • Qual o tipo de exercício mais indicado para aumentar a produção de irisina?
    Exercícios de força e resistência, como o levantamento de peso (Deadlift, Squat) e treinos intervalados de alta intensidade (HIIT, AMRAP), são eficazes para estimular a liberação de irisina.
  • Obesos produzem menos irisina? Por quê?
    Pessoas obesas tendem a ter menor liberação de irisina devido a alterações no tecido muscular e níveis elevados de fibronectina, que afetam a proteólise responsável pela liberação do hormônio.
  • Como manter níveis adequados de irisina durante a pandemia?
    Além de manter uma rotina regular de exercícios físicos, é importante seguir uma alimentação equilibrada e evitar o sedentarismo, fatores que contribuem para a saúde muscular e metabólica.

Para saber mais sobre os benefícios do exercício físico e estratégias para otimizar seu treino, confira nossos artigos sobre treinamento de força e nutrição esportiva. Também recomendamos a leitura sobre imunidade e exercício para entender como manter o sistema imunológico em dia.

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