CEO da PushPress Acusa Berkshire Partners de “Matar o CrossFit” em Carta Aberta

CEO da PushPress Acusa Berkshire Partners de “Matar o CrossFit” em Carta Aberta

Em uma contundente carta aberta publicada na segunda-feira, Dan Uyemura, cofundador e CEO da plataforma de gestão de academias PushPress, acusou a Berkshire Partners, CrossFit, empresa de private equity proprietária da marca, de estar “matando” o ecossistema que ajudou a definir o fitness funcional na última década.

A publicação surge menos de uma semana após a renúncia de Don Faul do cargo de CEO da CrossFit, LLC, em 6 de março. Uyemura detalha o que descreve como um ano de incertezas e má gestão, culminando em um processo de venda fracassado que, segundo ele, abalou a confiança da comunidade global de afiliados.

“A Berkshire Partners está matando o CrossFit. E ninguém com uma plataforma está dizendo isso em voz alta. Então eu direi”, afirma Uyemura logo no início de sua carta. Ele argumenta que a única forma de preservar o investimento da empresa é contratar um líder que se preocupe mais com a comunidade do que com o conselho de administração.

A Defesa de Don Faul e a Crítica à Gestão

Uyemura inicia sua análise defendendo o ex-CEO Don Faul, que esteve no cargo desde agosto de 2022. Ele descreve Faul como um “homem algemado”, que genuinamente amava a marca, mas estava preso entre as demandas da comunidade e os interesses financeiros dos proprietários.

“Você não pode servir a dois mestres quando esses mestres querem coisas fundamentalmente diferentes”, escreve Uyemura, sugerindo que Faul enfrentou constantes obstáculos impostos pela Berkshire Partners, CrossFit, que priorizava o retorno sobre o investimento em detrimento da “saúde da comunidade” e da “integridade da marca”.

Um Ano de Incerteza: A Cronologia de uma Venda Fracassada

O ponto central da crítica de Uyemura é o processo de venda da CrossFit, que se tornou público há exatamente um ano. Ele aponta que a decisão de anunciar a venda publicamente, em vez de conduzi-la discretamente, foi um erro estratégico que gerou um ano de instabilidade.

A cronologia dos fatos, segundo a carta e apuração de mercado, foi a seguinte:

  • Março de 2025: Durante a última semana do CrossFit Open, Don Faul confirma em um e-mail aos afiliados que a empresa contratou o banco Moelis & Company para explorar uma venda. A notícia surge após semanas de rumores crescentes.

  • Meados de 2025: Surgem potenciais compradores. Nomes como a BeSport (uma empresa suíça com laços sauditas) e a TPG (um gigante de private equity) são ventilados. Segundo relatos, a TPG estaria interessada em dividir a empresa, separando os Games e a mídia da rede de afiliados e certificações — um movimento que alarmou a comunidade.

  • Novembro de 2025: Um consórcio liderado por Wade Diebner e Mark Mastrov (fundador da 24 Hour Fitness) supostamente garante um acordo de exclusividade de 90 dias. A notícia vaza em fóruns online antes de qualquer comunicação oficial.

  • Início de 2026: O acordo com Mastrov e Diebner não se concretiza. Mastrov, inclusive, adquire outra grande rede de academias com um parceiro diferente, sinalizando o fim do interesse.

  • Março de 2026: Um ano após o anúncio, a CrossFit não tem um novo dono e, agora, também não tem um CEO.

Uyemura ressalta que a falta de um comprador após 12 meses de negociações públicas envia um sinal claro ao mercado: há uma grande lacuna entre o preço que a Berkshire Partners, CrossFit deseja e o valor que os compradores acreditam que a marca realmente tem.

Sinais de Alerta na Comunidade

A carta argumenta que a instabilidade na liderança já está causando danos mensuráveis. Uyemura cita vários “canários na mina de carvão” que indicam uma crise de confiança:

  • Rich Froning: O atleta mais icônico da história do esporte chegou a declarar publicamente que estava considerando desafiliar seu box, o CrossFit Mayhem.

  • Chris Cooper: Fundador da Two-Brain Business, uma das consultorias mais respeitadas para donos de box, começou a questionar publicamente se a taxa anual de afiliação de US$ 4.500 ainda vale a pena.

  • Queda no Open: As inscrições para o CrossFit Open de 2025 registraram uma queda de 32%, o número mais baixo desde 2014, segundo relatos da indústria.

  • Ascensão de Concorrentes: Enquanto isso, modalidades como o Hyrox explodem em popularidade. A carta menciona projeções de 650.000 competidores e 5.000 academias afiliadas para o concorrente.

“A lealdade tem um limite, e o relógio está correndo”, adverte Uyemura.

A Solução Proposta

Para o CEO da PushPress, a solução não é complexa, mas exige uma mudança de mentalidade por parte da Berkshire Partners, CrossFit. Ele afirma que a empresa precisa contratar um CEO com credibilidade na comunidade e dar a essa pessoa autonomia para colocar os afiliados em primeiro lugar.

“Sirva os afiliados, faça a marca crescer, restaure a confiança… e o dinheiro virá. Faça o contrário e o fracasso é garantido”, escreve ele.

Uyemura deixa claro que não está se candidatando ao cargo, mas se oferece para atuar como um conselheiro, fornecendo uma linha direta com o que a comunidade de donos de box realmente pensa e precisa. A carta termina com um apelo direto a Marni Payne, diretora da Berkshire Partners que liderou a aquisição em 2020.

“A marca não está morta. A comunidade é extraordinária”, conclui Uyemura. “Mas vocês fizeram essa marca parecer mais fraca do que ela é. Vocês ainda têm uma chance de reverter isso. A janela está se fechando.”

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