O retorno aos treinamentos sem uma boa orientação pode ser perigoso

Uma das preocupações associadas ao retorno a qualquer atividade física é saber se o aluno/atleta está preparado para sustentar a carga de treinamento que está sendo prescrita pelo seu treinador. Dessa forma, é de suma importância que os treinadores tenham cautela com a prescrição de um volume de treinamento elevado nesse retorno, principalmente para os alunos/atletas que estavam parados ou realizando home workouts sem acesso a equipamentos.

De acordo com Gabbett (2020), apesar do spike (aumento abrupto na carga de treinamento) não estar isoladamente associado com lesões, mas a escolha do elemento que está sendo prescrito (HSPU, Ring muscle up, GHD) onde os alunos não estavam acostumados a treinar em casa (o que gerou um destreinamento) uma lesão pode ocorrer em virtude do sistema osteomioarticular musculoesquelético não suportar o volume de treinamento prescrito.

Dessa forma, uma sugestão para evitar qualquer consequência negativa com a volta aos treinamentos pode ser através da prescrição de elementos com baixa complexidade (p. ex. burpees, corrida, bicicleta etc.) em conjunto com elementos mais complexos (com baixo volume e intensidade).
Por fim, vale lembrar que os mecanismos de lesões são multifatoriais e apenas o aumento abrupto da carga de treinamento não é capaz de explicar isoladamente.

Graduado, Mestre e Doutor em Educação Física (UCB).
Pós doutor em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina (UFMT).
Fundador do Hércules Functional uma plataforma com ênfase no Fitness Funcional (tcc.CrossFit).

Análise e Contexto

O retorno aos treinamentos físicos após um período de inatividade ou restrições, como as impostas pela pandemia, trouxe à tona um debate importante sobre a segurança e a eficácia da reintrodução gradual das cargas de trabalho. Historicamente, períodos de pausa prolongada geram um fenômeno conhecido como “detraining”, que é a perda das adaptações fisiológicas adquiridas durante o treinamento.

De fato, estudos recentes demonstram que o aumento abrupto na carga de treinamento — conhecido como “spike” — pode ser um fator de risco para lesões musculoesqueléticas, principalmente quando combinado com movimentos técnicos e complexos típicos do CrossFit, como Handstand Push-Ups (HSPU) ou Ring Muscle Ups. No entanto, é essencial compreender que o risco não está apenas na quantidade de treino, mas também na qualidade da prescrição e na individualização do programa.

Além disso, a literatura científica sugere que uma abordagem progressiva, que respeite a capacidade atual do atleta e promova a readaptação do sistema osteomioarticular, é fundamental para minimizar o risco de lesões. Isso inclui a priorização de exercícios com menor complexidade motora e menor impacto inicial, permitindo que o corpo recupere a resistência, força e coordenação necessárias para cargas maiores.

Impacto para a Comunidade Brasileira

O cenário brasileiro de CrossFit e fitness funcional apresenta desafios específicos devido à diversidade de condições socioeconômicas e diferentes níveis de acesso a equipamentos e orientação profissional de qualidade. Muitos atletas e praticantes retornaram aos treinos após longos períodos de isolamento social sem acompanhamento adequado, o que aumentou a incidência de lesões e desmotivação.

Por outro lado, o crescimento das plataformas digitais e treinamentos online, como o Hércules Functional, tem contribuído significativamente para democratizar o acesso ao conhecimento técnico e à prescrição correta. Dessa forma, treinadores brasileiros estão mais capacitados para oferecer orientações seguras e progressivas.

Além disso, a conscientização sobre a importância da periodização e da avaliação funcional tem se tornado uma tendência no Brasil, alinhando-se às melhores práticas internacionais. Isso traz benefícios não só para atletas de alto rendimento, mas também para a comunidade amadora que busca saúde e qualidade de vida por meio do CrossFit.

Para os atletas brasileiros que planejam competir em eventos como o Hyrox ou o CrossFit Open, o retorno cuidadoso aos treinos é ainda mais essencial para garantir uma performance sustentável e evitar lesões que possam comprometer a temporada.

Perguntas Frequentes (FAQ)

  • Por que o aumento abrupto da carga de treinamento pode ser perigoso?
    Um aumento excessivo e rápido na carga de trabalho pode sobrecarregar músculos, articulações e tendões, aumentando o risco de lesões por esforço repetitivo ou trauma.
  • Como saber se estou pronto para aumentar a intensidade do meu treino?
    É fundamental avaliar sua condição física atual, respeitar sinais do corpo e, se possível, contar com a orientação de um treinador qualificado que possa ajustar o volume e a intensidade progressivamente.
  • Quais exercícios são recomendados no retorno aos treinos após um período de pausa?
    Exercícios de baixa complexidade e baixo impacto, como corrida leve, bicicleta e burpees, são indicados para readaptar o corpo antes de introduzir movimentos técnicos e de maior intensidade.
  • O que é detraining e como ele afeta meu desempenho?
    Detraining é a perda das adaptações fisiológicas adquiridas durante o treinamento devido à inatividade. Ele diminui força, resistência e coordenação, exigindo um período de readaptação para retomar o desempenho.
  • Como a comunidade brasileira pode se beneficiar de uma orientação adequada no retorno aos treinos?
    Com orientações corretas, os atletas brasileiros evitam lesões, melhoram sua performance, mantêm a motivação e promovem uma prática de exercício mais segura e sustentável.

Para mais informações sobre a prescrição de treinos e prevenção de lesões, confira nossos artigos sobre prevenção de lesões e periodização de treino. Também recomendamos a leitura sobre home workouts para entender melhor como adaptar seu treino em casa.

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