For Time vs AMRAP: o que considerar?

No protocolo de treino “FOR TIME” (séries / repetições por tempo), o atleta precisa executar uma quantidade designada de esforço o mais rápido possível (p. ex. protocolo FRAN). A maioria dos atletas se destaca nesse estilo de treino porque pode ver um começo e um fim.

Por outro lado, no protocolo “AMRAP” (maior quantidade de repetições possíveis dentro de um período definido) em que a maioria dos atletas são desafiados por esse estilo porque, embora possa haver um início claramente definido para o treino, não há um final (exceto o tempo) (p. ex. AMRAP de 10′ calorias na bike), em relação ao trabalho que se espera que eles realizem.

Já existem diversos estudos sobre essa temática em outras modalidades esportivas, entre esses eu destaco o do HANSON & BUCKWORTH (2015) os quais analisaram 22 voluntários em duas condições diferentes, uma corrida com o ponto final desconhecido (p. ex. correr 32 min.) e uma corrida com a mesma distância mas com o conhecimento da distância (p. ex. correr 6,5km). Os autores encontraram diferença apenas no tempo que eles levaram para finalizar a distância fixa (~1min mais rápido para a situação onde os voluntários sabiam a distância).

O que pode estar associado com a diferença no tempo é a economia da reserva energética em virtude de não saber o ponto final. O que é importante para o treinador e para os atletas é que dentro de uma programação devem existir treinos com ambos os protocolos (FOR TIME e AMRAP).

Além disso, de acordo com uma revisão sistemática publicada em 2019 (Gu et al.) as tarefas abertas envolvem mais demandas cognitivas que as tarefas fechadas. Ao executar as tarefas abertas, há maiores demandas cognitivas e maior prática com alguns aspectos da função cognitiva que incluem, por exemplo, a velocidade de processamento de informações, o que de acordo com os autores podem explicar melhores respostas cognitivas aos treinamentos de tarefas abertas.

No entanto, ainda não existem pesquisas com o CrossFit e até mesmo essa definição de tarefas abertas e fechadas que eu busquei em outras modalidades esportivas pode não ser está correta.

Graduado, Mestre e Doutor em Educação Física (UCB).
Pós doutor em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina (UFMT).
Fundador do Hércules Functional uma plataforma com ênfase no Fitness Funcional (tcc.CrossFit).

Texto de @ramirestibana

Análise e Contexto

O debate entre os protocolos FOR TIME e AMRAP não é exclusivo do CrossFit, mas reflete uma questão mais ampla no treinamento esportivo: o equilíbrio entre intensidade, duração e motivação. Historicamente, o treino FOR TIME tem raízes em métodos militares e esportes de resistência, onde o objetivo é completar uma tarefa o mais rápido possível, maximizando a potência e a velocidade. Já o AMRAP surgiu como uma maneira de medir resistência muscular e cardiovascular em períodos fixos, priorizando a capacidade de manter o esforço sob fadiga.

De fato, a popularização do CrossFit trouxe à tona essa dualidade, pois os atletas precisam desenvolver tanto rapidez quanto resistência muscular e mental. Além disso, o CrossFit é conhecido por sua variedade constante, o que exige que os atletas se adaptem rapidamente a diferentes estímulos. Isso faz com que a alternância entre FOR TIME e AMRAP seja crucial para o desenvolvimento completo do atleta.

Outro aspecto importante é a influência do conhecimento prévio do exercício sobre o desempenho. Como citado no estudo de Hanson & Buckworth (2015), saber a duração ou quantidade exata de esforço pode melhorar a performance, pois o atleta consegue gerenciar melhor suas reservas energéticas. No entanto, o AMRAP desafia essa lógica ao impor um limite de tempo, mas sem um número fixo de repetições, o que cria uma incerteza que pode aumentar a demanda mental e física.

Além disso, a tendência atual no treinamento funcional e no CrossFit é incorporar elementos de ambos os protocolos para desenvolver a resistência aeróbica, anaeróbica e a capacidade de trabalho sob estresse cognitivo, refletindo o que acontece em competições reais, onde o atleta deve ser versátil.

Impacto para a Comunidade Brasileira

Para os atletas brasileiros, entender as diferenças entre FOR TIME e AMRAP é fundamental para uma preparação mais estratégica, especialmente na busca por vagas em competições nacionais e internacionais. Além disso, a escolha do protocolo pode influenciar diretamente na periodização do treinamento, permitindo que o atleta maximize ganhos sem sobrecarregar o sistema nervoso central.

No cenário brasileiro, onde o acesso a equipamentos e academias pode variar bastante, o AMRAP se mostra uma ótima opção para treinos em casa ou espaços reduzidos, pois pode ser adaptado facilmente com o tempo disponível. Já os treinos FOR TIME são frequentemente utilizados em boxes para avaliar a evolução do atleta, funcionando como um benchmark.

Além disso, a comunidade brasileira tem demonstrado grande interesse em compreender as nuances do treino para melhorar a performance e evitar lesões. Investir em conhecimento sobre esses protocolos pode ajudar técnicos e atletas a construir programas mais seguros e eficientes.

Por fim, a popularização do Hyrox no Brasil, que utiliza formatos de competição diferentes, também pode se beneficiar dessa discussão, pois combina resistência e velocidade, demandando que os atletas brasileiros estejam preparados para ambos os estilos.

Perguntas Frequentes (FAQ)

  • Qual protocolo é melhor para iniciantes, FOR TIME ou AMRAP?

    Para iniciantes, o FOR TIME pode ser mais motivador, pois tem um objetivo claro e definido. No entanto, o AMRAP ajuda a desenvolver resistência e pode ser ajustado facilmente para diferentes níveis.

  • Como alternar FOR TIME e AMRAP na programação semanal?

    Uma boa prática é intercalar os protocolos para trabalhar diferentes capacidades físicas e cognitivas. Por exemplo, pode-se fazer um treino FOR TIME para força e velocidade e um AMRAP para resistência e capacidade cardiovascular.

  • FOR TIME e AMRAP influenciam o risco de lesões?

    Sim, cada protocolo tem riscos diferentes. No FOR TIME, a pressão para terminar rápido pode levar a uma execução incorreta. No AMRAP, a fadiga acumulada pode aumentar o risco. A técnica e o controle são essenciais em ambos.

  • Posso usar AMRAP para melhorar meu condicionamento geral?

    Sim, o AMRAP é excelente para melhorar resistência muscular e cardiovascular, especialmente quando o objetivo é aumentar a capacidade de trabalho contínuo.

  • FOR TIME é mais indicado para competições?

    Geralmente, sim, porque as competições buscam medir a capacidade do atleta em realizar tarefas específicas no menor tempo possível. No entanto, o preparo para competições deve incluir ambos os estilos.

Para saber mais sobre treinamentos específicos, acesse nossos artigos sobre periodização, treinamento funcional e Hyrox.

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