Segundo Estudo da WOD-Science: Frequência Semanal Não Garante Melhores Resultados
Para atletas com mais de 35 anos, a equação do progresso muitas vezes parece complexa: para melhorar, é preciso ir ao box mais vezes por semana ou focar em treinos mais longos e intensos? A resposta, segundo um novo estudo, pode simplificar a vida de muitos.
Uma pesquisa recente da WOD-Science, plataforma de análise de performance, concluiu que, para o treino para masters, a frequência de sessões não é o fator determinante para a melhora do condicionamento físico quando o volume total de treino é equalizado.
A questão central investigada pelo fisiologista do exercício Gommaar D’Hulst no estudo, batizado de MASTERS 1.0, foi direta: “Treinar com mais frequência realmente te deixa mais condicionado?”. Após 11 semanas de análise, a conclusão foi categórica: a frequência, por si só, não gerou melhores resultados.
Como o Estudo Foi Estruturado
A pesquisa recrutou atletas experientes de CrossFit e Hyrox, todos com 35 anos ou mais, e os dividiu em dois grupos com um objetivo claro: completar exatamente o mesmo volume de trabalho ao longo de 11 semanas. A única variável era como esse volume era distribuído.
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Grupo 1 (Alta Frequência): Treinava seis vezes por semana, com sessões mais curtas, de aproximadamente 45 a 50 minutos.
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Grupo 2 (Baixa Frequência): Treinava três vezes por semana, com sessões mais longas e concentradas, durando entre 90 e 100 minutos.
Ambos os grupos seguiram uma programação com sobrecarga progressiva, ou seja, a carga de treino aumentava gradualmente. A recuperação foi monitorada semanalmente através do questionário Hooper, que avalia fadiga, qualidade do sono, dores musculares e estado de prontidão mental.
Resultados: Empate Técnico na Performance
Ao final das 11 semanas, os participantes foram reavaliados em uma ampla gama de testes, incluindo força de 1RM (uma repetição máxima), WODs de modalidade mista com remo e burpees, capacidade de sprint e resistência. Os resultados surpreenderam: ambos os grupos apresentaram uma melhora de performance muito similar, na casa de 6% a 6,5%.
“Não houve diferenças entre os grupos”, explicou D’Hulst na apresentação dos dados. Curiosamente, os escores de recuperação melhoraram em ambos os grupos ao longo do tempo, mesmo com o aumento gradual da carga de treino. Isso sugere que o corpo se adaptou bem a ambas as abordagens, seja ela diluída em mais dias ou concentrada em menos sessões.
Para quem gosta de analisando os resultados de competições, esse dado mostra a incrível capacidade de adaptação dos atletas Masters.
O Que Isso Significa Para Atletas Masters?
A principal lição do estudo é que consistência e um gerenciamento de carga adequado parecem ser mais importantes do que o número de dias que um atleta treina por semana. A qualidade do plano de treino e a capacidade de se recuperar da sobrecarga progressiva são as verdadeiras chaves para o sucesso a longo prazo.
“O fator mais importante para a melhora do condicionamento a longo prazo parece não ser a sua frequência de treino, mas sim quão completo é o seu plano de treino e se você é capaz de se recuperar da sobrecarga progressiva”, afirmou D’Hulst.
Essa é uma notícia animadora para atletas que precisam equilibrar treinos, trabalho e família. A dúvida entre Hyrox ou CrossFit já é uma decisão importante; saber como organizar a semana de treinos de forma eficiente é libertador.
O estudo indica que, se o volume total de trabalho for o mesmo e a programação for inteligente, treinar três dias por semana pode ser tão eficaz quanto treinar seis. Em resumo, o treino para masters ganha um novo paradigma: o foco deve estar no volume total e na qualidade da recuperação, não apenas em “bater o cartão” no box todos os dias. A escolha entre mais frequência ou mais volume por sessão se torna uma questão de preferência pessoal e logística, não de eficácia.
